10 de set de 2010

POLÍCIA FEDERAL X PEDOFILIA NA REDE

09/09/2010 - 09:53 

Polícia Federal cria ferramentas para combater a pornografia infantil



Novo software de investigação será apresentado em Conferência Internacional de Perícias em Crimes Cibernéticos, em Brasília
A Polícia Federal (PF) investe em tecnologias inovadoras no combate a pornografia infantil na Internet. 

Operações como Tapete Persa, Laio, Turko, e Carrossel I e II resultaram na prisão de diversos pedófilos nos últimos três anos.

Uma das armas mais recentes nessa luta, o software NuDetective, desenvolvida por dois peritos do Mato Grosso do Sul, consegue identificar a presença de material com pornografia infantil em computador suspeito. 

A ferramenta será apresentada durante a VII Conferência Internacional de Perícias em Crimes Cibernéticos (ICCyber 2010), que será realizada em Brasília entre os dias 15 e 17 de setembro.

O perito criminal federal e chefe do Serviço de Perícias em Informática da PF, Marcos Vinicius Lima, explica que o combate a pedofilia tem se intensificado com o aumento no número de prisões a cada ano: “somente na ultima ação prendemos mais de 20 suspeitos. 

Essas ferramentas deram efetividade ao trabalho da polícia”, afirmou.

O NuDetective funciona por meio do reconhecimento automatizado de assinaturas de arquivos digitais.

O software faz uma triagem na memória da máquina periciada em busca de conteúdos que indiquem a presença de material pornográfico infantil.

Em breve, uma nova versão vai reconhecer os padrões de imagens, tornando a varredura nos sistemas suspeitos ainda mais confiável  e precisa.

O perito criminal Marcos Vinicius conta que o NuDedective permitiu maior rapidez na detecção desse tipo de conteúdo, o que trouxe ganhos na hora de prender o suspeito em flagrante.

“De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a posse de material pornográfico infantil é crime. 

Assim, podemos prender o acusado e dar o flagrante no exato momento que o software encontra o conteúdo pornográfico no computador periciado”, destacou o especialista da PF.

Além do NuDedective, peritos da PF também desenvolveram outras ferramentas para o combate a pedofilia na Internet. 

Uma delas é o EspiaMule, que consegue pesquisar e coletar informações de usuários do programa de compartilhamento

 Emule, catalogando endereços e criando um mapa da distribuição de imagens de pornografia infantil. 

Utilizada na operação Tapete Persa, o EspiaMule será compartilhado com a Interpol, agência de polícia internacional. 

Outro meio de combate é o software WMM. 

Ele analisa vestígios de conversas do Messenger (MSN).

A ferramenta consegue resgatar as conversas realizadas no programa, ajudando no combate e na elucidação de crimes. 

O WMM foi disponibilizado pela Polícia Federal brasileira e será utilizado pela Polícia Nacional da Espanha.

É crime: Apresentar, produzir, vender, fornecer, divulgar ou publicar, por qualquer meio de comunicação, inclusive rede mundial de computadores ou internet, fotografias, imagens com pornografia ou cenas de sexo explícito envolvendo crianças e pré-adolescentes.

Com a mudança no artigo 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente, a posse de fotografias ou vídeos de pornografia, mesmo que não compartilhe o material, passou a ser crime, passível das mesmas punições aplicadas para quem repassa esse tipo de conteúdo.

Confira um histórico recente de operações contra a pornografia infantil deflagradas pela Polícia Federal nos últimos três anos:

Operação Tapete Persa (2010) - Mais de 20 suspeitos de abuso sexual e pedofilia na internet foram presos durante a operação, deflagrada simultaneamente em 54 cidades de nove estados brasileiros.

Operação Turko (2009) - Realizada no dia 18 de maio de 2009, cerca de 400 policiais cumpriram 92 mandados de busca e apreensão em 20 estados e no Distrito Federal. Dez suspeitos foram presos.

Operação Laio (2009) - Deflagrada no dia 15 de setembro de 2009, a operação resultou na prisão em flagrante de sete pessoas. 
O alvo da ação foi um grupo que mantinha uma de rede de compartilhamento de fotos, vídeos, entre outros materiais com conteúdo de pedofilia pela internet. 
A operação aconteceu em São Paulo, Rio, Minas e Ceará, além do Distrito Federal.

Operação Carrossel II (2008) - Realizada no dia 03 de setembro, a Operação Carrossel II convergiu com os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI, instaurada no Senado Federal em março de 2008, para investigar o assunto. A investigação contou com o apoio da Interpol no Brasil. Foram mobilizados 650 policiais, que cumpriram 113 mandados de busca e apreensão em 17 estados e no Distrito Federal. As investigações da operação Carrossel identificaram aproximadamente 200 pedófilos em mais de 70 países.

Operação Carrossel I (2007) - Iniciada no dia 20 de dezembro a operação tinha como objetivo reprimir a prática de pedofilia na rede mundial de computadores. A ação ocorreu simultaneamente em 14 estados e no Distrito Federal e três suspeitos foram presos.

Perfil do Iccyber 2010 - Autoridades brasileiras e internacionais, especialistas, consultores e pesquisadores das áreas de segurança da informação, computação forense e direito eletrônico, se reúnem em Brasília/DF, entre os dias 15 e 17 de setembro, com o objetivo de discutir novas técnicas e ferramentas que auxiliem no combate aos chamados crimes cibernéticos. 

O encontro se dará na Conferência Internacional de Perícias em Crimes Cibernéticos (ICCyber 2010), que é um dos mais importantes eventos de tecnologia e perícias em informática da América Latina.

O evento é realizado pela Associação Brasileira de Especialistas em Alta Tecnologia (ABEAT), em convênio com a Polícia Federal, por meio do Serviço de Perícias em Informática (SEPINF) do Instituto Nacional de Criminalística (INC). 

O FBI - Federal Bureau of Investigation (Polícia Federal dos Estados Unidos), é também uma das entidades apoiadoras, fundamentais tanto na formatação do conteúdo como no suporte institucional e no convite para a participação dos demais organismos e polícias internacionais.

Em 2010, o evento pretende reunir, no Centro de Eventos e Convenções Brasil 21, em Brasília, mais de 800 conferencistas de várias partes do Brasil e do exterior. 

O público da ICCyber é composto por policiais e agentes públicos responsáveis pela persecução dos crimes cibernéticos, bem como por autoridades federais, estaduais e municipais, especialistas e gestores públicos e da iniciativa privada da área de segurança da informação.

Espera-se, nesta sétima edição da Conferência, a participação de mais de 20 países e de diversos núcleos de tecnologia do Brasil e do exterior. 

A edição 2010 será composta de três eventos principais: VII Conferência Internacional de Perícias em Crimes Cibernéticos (ICCyber 2010); V Conferência Internacional de Ciência da Computação Forense (ICoFCS 2010); III Conferência Internacional de Treinamento e Exposição do Capítulo Brasília da HTCIA (IBTCE 2010).

.[Palestra: “Uso da ferramenta NuDetective no combate à pedofilia” , no dia 17 de setembro (sexta-feira), às 11 horas. O ICCyber 2010, de 15 a 17 de setembro de 2010, no Setor Hoteleiro Sul, Quadra 6, Lote 1, Conjunto A – Centro de Eventos e Convenções Brasil 21 - Brasília/DF | www.iccyber.org].


FONTE
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