17 de fev de 2010

MULHERES PEDÓFILAS

"Colin nunca conheceu a inocência quando criança. Suas memórias de infância são de sua mãe abusando dele sexualmente, no banho, em sua cama e durante a noite – até ele completar 13 anos.


Vinte anos depois, após uma juventude marcada por drogas e violência, ele ainda sofre traumas pelo que diz acontecer.

“Somente agora eu percebi o impacto que isso teve em mim.

Com 14 anos, eu passei a sofrer ataques de pânico, e com isso comecei a usar drogas”, relata Colin, que prossegue:

“Eu não conseguia dormir de noite, e sempre imaginava minha mãe em cima de mim.

Não conseguia manter empregos, e tinha medo de garotas”.

O fato da pessoa que cometeu o abuso ser a pessoa que o deu à luz torna mais difícil para identificar o abuso, ele acredita.

“Eu achava difícil até dizer que aquilo era abuso sexual, por conta da forma que a sociedade enxerga as mães, e com razão – 99% delas amam seus filhos, mas eu fui azarado e tive uma que não me amava”.

Da maneira que a sociedade vê a pedofilia hoje é que o mais chocante na história de Colin: não o abuso sexual em si – mas sim o fato de ter sido uma mulher quem o cometeu.

Mas Colin não está sozinho nesse tipo de trauma, diz Steve Bevan, que por duas décadas manteve um grupo de ajuda para homens vítimas de todo tipo de abuso sexual.

Dos 18 homens atualmente recebendo ajuda, cinco dizem ter sido abusados por mulheres, e três deles apenas por mulheres.

“Durante esses anos tivemos muitos homens abusados por mães, irmãs, tias e babás”, diz Bevan.

“É muito difícil para os homens adultos admitirem que foram abusados por uma mulher, pois isso desafia sua masculinidade, sua sexualidade”.

Mulheres podem cometer uma infinidade de crimes sexuais, incluindo o estupro.

E suas vítimas podem, no futuro, manifestar raiva, por meio de violência contra a esposa ou namorada.

Especialistas concordam que mulheres cometem apenas uma pequena parte dos abusos sexuais contra crianças, mas há tanta coisa oculta que é difícil ter uma precisão dos dados.

Um estudo influente nos EUA, nos anos 80, sugeriu que 20% de todos os abusos contra meninos e 5% contra meninas foram cometidos por mulheres.

Fantasia?

Pelo contrário, a própria forma como a mídia trata o assunto demonstra isso – eles apontam que professoras “seduzem” seus alunos se elas são mulheres, mas se são professores, eles “estupram” suas alunas.

“Uma das questões mais controversas é o fato das pessoas pensarem que se as mulheres abusaram, é porque os meninos pediram”, afirma Michele Elliott, fundadora da Kidscape, organização especializada em proteção de crianças vítimas de abuso.

As mulheres que cometeram esse tipo de abuso não vêem delito no que elas fizeram.

“Elas diriam que não é tão ruim como quando um homem comete, pois elas dizem que fazem com amor, ao contrário de um homem, que é violento”, diz Michelle."

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Elas já atingem dez por cento do totalEm 25/01/2010

Existem também mulheres pedófilas.

Elas já atingem dez por cento do total

Segundo PF, cresce a atuação feminina nesse tipo de crime; para os especialistas, elas são 10% dos pedófilos

Nos vídeos e fotos de pornografia infantil apreendidos pela Polícia Federal, um registro cada vez mais recorrente tem colocado em xeque o perfil do pedófilo clássico.

Cerca de 30% do material investigado tem a presença de mulheres, participando ou produzindo cenas de abuso sexual.

“Desde 2001, trabalhamos com esses casos e podemos dizer que a atuação feminina vem aumentando sensivelmente”, diz o chefe da Divisão de Combate a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal, delegado Adalto Martins.

“Isso faz cair por terra a idéia de que só quem pratica a pedofilia é o homem.”

Classificada como transtorno sexual, a pedofilia atinge mais homens.

Especialistas estimam em quase 10% o número de pedófilas.

Por razões que variam do machismo à ausência de sinais claros de abuso, casos femininos são de difícil identificação.

A Operação Carrossel 2, no início deste mês, prendeu apenas três homens.

“Não tivemos a ‘sorte’ de pegar nenhuma pedófila no momento em que enviava ou recebia filmes de pornografia infantil”, diz Martins.

A ONG SaferNet, que combate abusos na rede, recebe denúncias contra mulheres.

A pedido do Estado, a entidade analisou 500 casos do primeiro semestre deste ano.

Embora não tenha sido possível quantificar as envolvidas, foram apurados três casos emblemáticos: uma mulher fazendo sexo oral em um menino de 12 anos, um casal abusando de crianças e homens vestidos de mulher que molestam meninos e meninas.

“Entre os casos envolvendo mulheres, constatamos que a maioria age com homens.

Quando os pais abusam dos filhos, muitas vezes a mulher não é apenas cúmplice, também participa”, diz o psicólogo Rodrigo Nejm, diretor de Prevenção e Atendimento da ONG.

“A literatura internacional aponta que, em geral, essas mulheres foram vítimas de abusos na infância.”

“A questão da pedofilia feminina é muito recente em termos de divulgação”, afirma a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade do Instituto de Psiquiatria da USP.

“Mas, a partir do momento em que ela entra no mercado e passa a ter uma vida mais social, adquire comportamentos do gênero masculino.”

ATENTADO AO PUDOR

Na semana passada, uma mulher de 27 anos foi indiciada em São Paulo por atentado violento ao pudor.

Há dois anos, ela teria iniciado relação com um garoto que hoje tem 14.

Em dezembro, a Justiça condenou o professor Carlos Ivancko, de 47 anos, e Ana Paula Silva, de 27, de Uberlândia (MG), a 54 anos de prisão por praticarem sexo com a filha dela, de 6 anos.

“É relativamente comum a participação de mulheres em pedofilia”, diz o promotor Carlos Fortes, curador da Infância e Juventude em Divinópolis (MG).

“Em muitos casos, a mãe é conivente. Outras até agenciam filhos a pedófilos.”

Martins também diz que há casos de agenciamento em São Paulo.

Por outro lado, destaca a psiquiatra Carmita Abdo, muitas mães se culpam por se sentirem atraídas pelos bebês.

“Elas dizem: ‘tenho vontade de morder, de pegar’.

Mas desse apego até chegar à conotação erótica há longo caminho”, diz.

“A pedófila é aquela que tem no carinho a busca pela excitação.

Esse ciclo não se desencadeia em carícia feita em uma criança que tem início e fim nela própria.”